Novo medicamento contra insônia deve chegar às farmácias brasileiras ainda neste semestre

Foto: divulgação | ilustrativa

Saúde

Novo medicamento contra insônia deve chegar às farmácias brasileiras ainda neste semestre

Dayvigo atua diretamente no sistema responsável por manter o cérebro em estado de alerta e surge como alternativa a medicamentos como o zolpidem

Redação Grupo Guilherme Detoni | com informações da CNN Brasil
Portal de Notícias
28 de agosto de 2026 às 01:594 min de leitura
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Quem enfrenta noites mal dormidas deverá contar com uma nova opção de tratamento no Brasil. O Dayvigo, medicamento à base de lemborexante indicado contra a insônia, tem previsão de chegar às farmácias brasileiras ainda neste semestre, com preço médio estimado em R$ 200.

Desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai, o medicamento será comercializado, promovido e distribuído no país por meio de uma parceria com a Eurofarma.

A novidade está principalmente na maneira como o remédio age no organismo. O lemborexante foi classificado como o primeiro antagonista duplo dos receptores de orexina, conhecido pela sigla DORA, aprovado no Brasil.

A orexina é um neurotransmissor natural do cérebro relacionado à manutenção do estado de vigília e alerta. O medicamento bloqueia temporariamente sua ação, reduzindo o sinal que ajuda a manter a pessoa acordada. A proposta é facilitar tanto o início quanto a manutenção do sono.

O mecanismo é diferente daquele encontrado em benzodiazepínicos e nos chamados “medicamentos Z”, grupo que inclui o zolpidem. Enquanto esses medicamentos promovem uma redução mais generalizada da atividade do sistema nervoso central, o lemborexante atua de maneira mais direcionada.

Estudos avaliaram eficácia do medicamento

A aprovação do Dayvigo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi sustentada por um programa de desenvolvimento clínico envolvendo 20 estudos de fases 1, 2 e 3.

Nos estudos de fase 3, o medicamento apresentou superioridade estatisticamente significativa em relação ao placebo e ao zolpidem de liberação prolongada. Os pacientes tratados com lemborexante tiveram redução no tempo necessário para adormecer e melhora na eficiência e na manutenção do sono durante a noite.

Outro aspecto observado foi a ausência de insônia de rebote ou sintomas de abstinência física após a interrupção abrupta do tratamento, indicando menor possibilidade de desenvolvimento de dependência quando comparado às terapias tradicionais.

Apesar dos resultados, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) ressalta que o acompanhamento clínico de longo prazo será importante para consolidar os dados relacionados à segurança quanto ao abuso do medicamento.

Remédio exige receita azul

O novo medicamento também requer cuidados. Entre as reações adversas mais comuns identificadas nos estudos estão sonolência durante o dia e fadiga. Em menor frequência, foram registrados episódios de paralisia do sono e alucinações.

O Dayvigo é contraindicado para pacientes com narcolepsia e não deve ser associado ao consumo de bebidas alcoólicas nem a fortes indutores ou inibidores da enzima hepática CYP3A.

Também há orientação de atenção para quem dirige. Pacientes que utilizam a dose máxima de 10 mg devem ser alertados sobre a possibilidade de comprometimento da capacidade de conduzir veículos na manhã seguinte.

Por seu perfil sedativo-hipnótico, a Anvisa enquadrou o Dayvigo na Lista B1 de substâncias psicotrópicas. Com isso, a venda será submetida a controle e exigirá apresentação e retenção da Notificação de Receita “B”, conhecida como receita azul.

Fonte: Com informações da CNN Brasil

Comentários (2)

  • Ana Ribeiro

    Excelente cobertura, parabéns pelo trabalho!

  • Paulo Nogueira

    Ótima análise. Muito esclarecedor.